Fisioterapia e condicionamento físico preventivos ajudam a minimizar os efeitos dessa rotina e melhorar a qualidade de vida.O corpo humano foi feito para se movimentar. No entanto, muitas atividades profissionais exigem que as pessoas passem horas sentadas, usando telas e, muitas vezes, sem ergonomia adequada. O resultado pode aparecer em forma de dores frequentes na coluna, tensão no pescoço e nos ombros, desconforto no quadril, possíveis lesões por esforço repetitivo, sensação de pernas pesadas e até ganho de peso.
E os efeitos desse hábito podem afetar, inclusive, quem já mantém uma rotina de exercícios físicos. Isso porque a prática regular de atividade física é fundamental, mas não elimina totalmente os impactos de uma rotina inteira com pouco movimento.
Foi o caso do arquiteto Eduardo Ravanelli, que passa muitas horas do dia sentado, já enfrentou fortes crises de dor e precisou adaptar a rotina para ter mais qualidade de vida. “Tenho 33 anos, mas as primeiras dores começaram quando eu tinha cerca de 22. Certo dia, tive uma dor forte na coluna, que descia até o pé, e cheguei a cair no chão. Tenho duas hérnias rompidas e, para minimizar os desconfortos e evitar novas crises, passei por várias sessões de fisioterapia, fiz Pilates durante um tempo e, hoje, faço um trabalho semanal de fortalecimento na academia.”
Segundo o professor de Educação Física Douglas Peralta, profissionais que passam muitas horas sentados precisam reforçar cuidados preventivos ao longo do dia, como alongamentos simples para pescoço, ombros, coluna, quadril, panturrilhas e punhos. Outra recomendação é levantar a cada hora, caminhar por alguns minutos e evitar permanecer durante todo o expediente na mesma posição. “Para quem trabalha sentado, orientamos uma rotina de treinos que fortaleça as regiões que mais sofrem com esse hábito: coluna, abdômen, glúteos, pernas e costas. Exercícios bem orientados ajudam a sustentar melhor a postura e reduzem sobrecargas no dia a dia”, explica Douglas.
Porém, se mesmo com esses cuidados, as dores persistem, ou se tornam frequentes, a recomendação é buscar avaliação fisioterapêutica. A fisioterapia pode identificar se a dor está relacionada à postura, fraqueza muscular, encurtamentos, falta de mobilidade, desequilíbrios musculares ou execução inadequada de movimentos. A partir dessa avaliação, podem ser indicados exercícios terapêuticos, mobilizações, fortalecimento e orientações específicas para a rotina de trabalho.
De acordo com o fisioterapeuta Alexandre Collucci, os problemas mais comuns tratados na clínica, e relacionados ao excesso de horas sentado são lombalgia e cervicalgia (dores na lombar e cervical), tensão em trapézio e ombros, dores no quadril, encurtamentos musculares, limitação de mobilidade, entre outras complicações.
“Recebemos casos assim com frequência na clínica. Na maioria das vezes, são quadros que podem ser tratados com fisioterapia, fortalecimento, melhora da mobilidade e ajustes na rotina. Mas, quando a pessoa ignora os sinais por muito tempo, a dor pode se tornar crônica e exigir tratamentos mais prolongados. Por isso, o ideal é não esperar o desconforto limitar as atividades do dia a dia para procurar ajuda”, afirma Collucci.